segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Escândalo de espionagem põe em xeque a internet como ela é hoje

Publicado:  

Sérgio Matsuura (Email)

Rennan Setti (Email)

Bisbilhotice: NSA usou variados recursos escusos para quebrar os códigos das mensagens transmitidas na rede
Foto: Patrick Semansky / AP
Bisbilhotice: NSA usou variados recursos escusos para quebrar os códigos das mensagens transmitidas na rede Patrick Semansky / AP 
 
RIO - Não é apenas a política de segurança nacional americana que se vê em xeque após o escândalo de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). A internet, terreno onde a agência exercitou sua bisbilhotice eletrônica, é outra que jamais será a mesma depois que o ex-prestador de serviços da CIA Edward Snowden vazou seus documentos secretos.

A própria governança da rede é um dos aspectos que não ficarão incólumes, acreditam especialistas do setor. A começar pelo órgão que gerencia a internet, a Icann, que fica nos Estados Unidos. No ano passado, representantes de 193 países tentaram, sem sucesso, transferir esse poder para a União Internacional de Telecomunicações (UIT), vinculada à ONU e baseada na Suíça.

— Temos que ficar atentos aos fóruns internacionais, principalmente nós da academia. A internet que está aí não foi a que criamos — afirma Luís Felipe de Moraes, da Coppe/UFRJ.

Para Demi Getschko, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, a solução é local, não por meio de leis internacionais ou regras da ONU. O ideal, ele diz, seria que países adotassem alguns princípios gerais que garantam funcionamento da rede:

— Adotamos em 2009 um decálogo com princípios para a governança da internet no Brasil. Seria bom se outros países fizessem o mesmo.

Um dos alicerces digitais especialmente abalados foi a criptografia. A NSA e seu equivalente britânico, o GCHQ, trabalharam em conjunto para quebrar códigos que protegem as mensagens transmitidas pelos softwares mais usados na rede. Para isso, recorreram a amplo leque de golpes: embutiram backdoors em programas como Skype; sugeriram à comunidade internacional padrões de criptografia mais relaxados; usaram supercomputadores para quebrar códigos à força.

— É como você comprar um cadeado para proteger a sua casa e o fabricante vender a chave para outra pessoa. O capítulo da segurança na internet precisa ser reescrito — diz Moraes, da Coppe/UFRJ.

— Do ponto de vista dos algoritmos de criptografias, eles continuam funcionando perfeitamente. O problema é outro. Teremos que mudar a forma como lidamos com a segurança da informação, evitar que existam backdoors — afirma Guilherme Temporão, do Centro Técnico Científico da PUC-Rio.


Criptografia quântica

Desde que a espionagem desencadeou sua paranoia, alguns pesquisadores pressionam pela adoção de um modelo mais seguro de criptografia, a quântica. Como o nome sugere, ela explora propriedades físicas na escala subatômica. As mensagens são protegidas por chaves privadas de segurança compartilhadas por remetente e destinatário. Essas chaves são codificadas em fótons, partícula elementar da luz. Pelas estranhas leis da física quântica, um espião jamais consegue interceptar ou replicar uma chave dessas, pois o estado da mensagem se altera sempre que isso é tentado. Em teoria, a criptografia quântica seria perfeita.

Mas a realidade é outra. A solução é caríssima: cada módulo sai por cerca R$ 100 mil. As mensagens não podem viajar mais do que uma centena de quilômetros. E sistemas quânticos já foram hackeados a partir de vulnerabilidades nos equipamentos.

— A solução quântica não é possível a curto prazo. A disseminação depende da adoção de computadores quânticos, que fazem em um minuto cálculos que hoje levam um ano. Isso tornaria a criptografia atual obsoleta, mas o conceito ainda é incipiente — diz Temporão.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Bactéria que defeca gasolina pode salvar a indústria automobilística

Por Nilton Kleina em 1 de Outubro de 2013

"Fezes" da Escherichia coli são de composição idêntica ao combustível que alimenta nossos veículos

Bactéria que defeca gasolina pode salvar a indústria automobilística 
 (Fonte da imagem: Thinkstock)


O bacilo Escherichia coli é famoso no meio científico: além de estar relacionado com uma série de problemas de intoxicação alimentar, ele é geneticamente modificado com frequência para pesquisas que envolvem até combustíveis. O estudo mais atual envolvendo o organismo também parece o mais revolucionário: pesquisadores foram capazes de extrair gasolina dessas bactérias.

É isso mesmo: de acordo com uma pesquisa recente publicada por cientistas sul-coreanos, a bactéria reprogramada é capaz de "evacuar" um material de composição idêntico à gasolina derivada do petróleo e usada como combustível em carros e outros veículos.

Como isso é possível?

 

Bactéria que defeca gasolina pode salvar a indústria automobilística 
Toda a transformação acontece dentro da bactéria. (Fonte da imagem: Reprodução/Nature)


O processo de conversão envolve, além de uma cultura da Escherichia coli, glucose ou biomassa que serão consumidos pelos organismos. Quando as bactérias consomem esses materiais, as enzimas produzidas no processo convertem o açúcar em ácidos graxos ( e, posteriormente, em hidrocarbonetos com a mesma estrutura da gasolina.

Por enquanto, o projeto está longe de ser viável para a indústria: só algumas gotas de gasolina são extraídas por hora, mas a ideia é aumentar essa produção para até 20 gramas do líquido para cada litro de cultura de bacilos.
Fonte: Nature

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Aparelho pode revolucionar jogos em realidade virtual

Redação do Site Inovação Tecnológica - 30/09/2013
Aparelho pode revolucionar jogos em realidade virtual
O suporte móvel permite andar em qualquer direção, agachar e até saltar. [Imagem: TU Vienna]
 
 
Dura realidade

Já existem equipamentos, parecidos com capacetes, que permitem que os usuários naveguem por ambientes de realidade virtual.

Mas eles têm um grande inconveniente: enquanto o ambiente da realidade virtual pode estar livre para uma boa corrida, o mais comum é que o usuário bata o nariz na parede mais próxima da realidade concreta.

Tuncay Cakmak e seus colegas da Universidade de Viena, na Áustria, criaram um aparelho de pequeno porte que soluciona esse problema.

O aparelho, chamado Virtualizer, permite um andar quase natural em ambientes infinitos.

O usuário usa suas pernas normalmente para caminhar e correr, além de poder saltar e se agachar - tudo sem sair do lugar.

O segredo está em uma estrutura que prende o usuário pela cintura sobre uma plataforma circular de baixíssimo atrito.

Usando meias comuns, é possível simular o andar enquanto os pés escorregam pela plataforma. Como o suporte é móvel, girando ao redor da plataforma é possível caminhar em qualquer direção.

Sensores no suporte e na plataforma escorregadia informam ao sistema os movimentos precisos do usuário.

Isso permite uma "navegação infinita" pelo mundo virtual, ocupando um espaço físico mínimo, e sem riscos de bater o nariz na parede.

Já há empresas interessadas no licenciamento da tecnologia, que deverá chegar ao mercado em 2014.
"Nossa primeira prioridade é criar um produto de alta qualidade, mas é claro que queremos oferecê-lo ao preço mais baixo possível," disse Cakmak. "Nosso produto deverá levar a realidade virtual dos laboratórios de pesquisa para as salas e quartos dos jogadores."

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Lâmpadas e notebooks: saem os fios, entram as antenas

Redação do Site Inovação Tecnológica - 23/09/2013

Lâmpadas e notebooks: saem os fios, entram as antenas
A tecnologia SUPA deverá chegar ao mercado em 2014, com previsão de potência suficiente para alimentar tablets e notebooks. [Imagem: Fraunhofer ENAS]
 
 
 
Luz sem fios

Com a ajuda dos LEDs, abajures e luminárias estão se tornando cada vez menores e mais práticos.

E, com a ajuda do design, além de iluminar, estão se tornando peças de decoração bastante atraentes.

O problema é que nada disso combina com um grosso fio que precisa ser estendido até uma tomada, destruindo o apelo visual e eliminando qualquer praticidade.

A solução pode estar na transmissão de eletricidade sem fios, que substitui os fios por antenas.

A viabilidade dessa opção acaba de ser demonstrada por engenheiros do Instituto de Nanossistemas Eletrônicos, da Alemanha.

Eles batizaram sua tecnologia de SUPA (Smart Universal Power Antenna, antena inteligente universal de potência, em tradução livre).

"Sem cabos, você pode colocar suas luminárias em qualquer lugar que você queira sobre a mesa," disse Christian Hedayat, engenheiro responsável pelo projeto.


Antenas inteligentes

A energia é suprida por bobinas instaladas sob o móvel. Cada luminária - ou qualquer outro aparelho com uma exigência de potência compatível - recebe uma antena que capta o campo magnético criado pelas bobinas, gerando a eletricidade por indução.

Mas isto poderia exigir colocar bobinas por baixo de todo o móvel, ou então limitar as posições onde os aparelhos podem ser colocados.

Hedayat e seus colegas encontraram uma solução melhor.

"Nós enchemos uma placa de circuito impresso com várias antenas, de forma que um campo magnético é gerado somente sob a superfície do receptor. As distâncias entre as antenas e suas dimensões foram cuidadosamente ajustadas para produzir um campo homogêneo," explicou ele.

Para que a radiação não seja excessiva, podendo interferir com outros aparelhos, apenas as antenas que estão diretamente sob o aparelho são energizadas, com todas as demais permanecendo desligadas automaticamente.

O grupo agora está trabalhando em um sistema ainda mais inteligente, em que a placa de circuito impressa "conversa" com cada aparelho, recebendo uma identificação que informa se ele deve ser alimentado e qual a potência necessária.

A tecnologia SUPA deverá chegar ao mercado em 2014, com previsão de potência suficiente para alimentar tablets e notebooks.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Processador quântico está disponível gratuitamente na internet

Redação do Site Inovação Tecnológica - 18/09/2013

Processador quântico está disponível gratuitamente na internet 
O chip quântico fotônico montado sobre uma base, necessária para garantir o alinhamento preciso das fibras ópticas que trazem os fótons individuais para seu interior. [Imagem: University of Bristol]
 
 
Talvez você não possa ainda comprar um, mas poderá usar um processador quântico como se ele fosse seu, acessando-o através da internet.

A possibilidade está sendo aberta pela equipe do professor Jeremy O'Brien, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, através do projeto Qcloud, em uma referência à disponibilização de um processador quântico na nuvem.


Simulador e processador quânticos

Em 2011, a equipe do professor O'Brien criou um chip fotônico quântico multiuso, abrindo caminho para os processadores quânticos programáveis.
Agora eles estão disponibilizando esse processador quântico para qualquer um que queira fazer seus experimentos ou testar seus próprios algoritmos quânticos.

Os interessados poderão acessar o site do projeto Qcloud e começar com um simulador quântico, que dispõe de guias e manuais para ajudar os programadores-físicos de primeira viagem a escovar seus primeiros qubits.

Quando estiverem satisfeitos com os resultados das simulações, poderão fazer um cadastro no site e submeter seus programas para que estes rodem no processador quântico fotônico real.

"Esta tecnologia está nos ajudando a acelerar nossa pesquisa e nos permitindo fazer coisas que nunca imaginamos ser possível. É incrivelmente emocionante pensar o que pode ser alcançado tornando tudo mais amplamente acessível, não só para as mentes mais brilhantes que já trabalham em pesquisa, mas também para a próxima geração," disse o professor O'Brien.

De fato, este processador quântico fotônico foi apenas o primeiro experimento de sucesso da equipe, servindo de base para que eles construíssem versões mais aprimoradas, com seis e oito qubits.


Nuvem quântica

A versão do processador quântico que será disponibilizada pela internet é a mais estável, com apenas dois qubits.

Mas não ache que é pouco, já que qubits podem assumir múltiplos estados - valores 0 e 1, por exemplo - ao mesmo tempo.

Os cálculos são executados manipulando o estado de cada qubit.

Teoricamente, a natureza quântica dos qubits significa que eles calculam todas as respostas para um problema matemático simultaneamente, e vários algoritmos podem ajudar o processador a indicar qual das soluções que os qubits apresentam é a resposta correta.

Isso pode resultar em cálculos complexos realizados exponencialmente mais rápido do que em um computador clássico.

O endereço do Qcloud é http://cnotmz.appspot.com/.

O processador quântico real estará disponível a partir do dia 20 de Setembro.