segunda-feira, 15 de julho de 2013

Como ampliar o sinal WiFi para outros cômodos de sua casa?

Por Felipe Gugelmin em 12 de Julho de 2013

 

Aprenda algumas dicas simples que ajudam a aprimorar a qualidade da conexão sem fio de sua residência.

Ao dispensar o uso de cabos, as redes WiFi se mostram uma solução cada vez mais útil tanto para ambientes residenciais quanto para aplicações comerciais. Afinal, basta instalar um aparelho em um canto qualquer casa para poder acessar a internet sem ter que se preocupar em lidar com um amontoado de fios.

Infelizmente, na prática nem sempre a adoção da tecnologia sem fio funciona conforme o esperado. Aspectos arquitetônicos, objetos do ambiente e aparelhos eletrônicos podem ter influência negativa sobre o funcionamento de sua rede, impedindo que certos cômodos recebam sinais da maneira apropriada.

Neste artigo, você confere algumas sugestões de atitudes simples que podem ajudar a melhorar a recepção de sua rede WiFi. A intenção é oferecer soluções que, com pouco ou nenhum investimento financeiro, se mostram capazes de melhorar muito a experiência de acesso à rede sem que seja preciso apelar ao uso de cabos.

 

Atualize o firmware de seus aparelhos

Assim como acontece com jogos ou o sistema operacional de seu computador, seu roteador provavelmente também recebe atualizações periódicas de seu software. Especialmente quando se tratam de dispositivos mais antigos, a instalação de um firmware atual geralmente resolve diversos bugs que enfraquecem a difusão de sinais e propiciam a ocorrência de interferências.

Como ampliar o sinal WiFi para outros cômodos de sua casa? [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

A realização do processo vai depender das características próprias a seu roteador. Enquanto a maioria dos produtos atuais conta com opções que realização essa ação de forma automática, em alguns casos somente o acesso ao site da fabricante garante a possibilidade de baixar pacotes de atualização para o dispositivo que você possui em casa.

 

Também atualize seu adaptador de rede

Assim como ocorre com os roteadores, o adaptador de rede de seu PC também pode receber diversas atualizações de firmware. Como a qualidade de acesso também é ditada por esse componente, é uma boa ideia se certificar de que ele conta com os últimos softwares oferecidos por seu fabricante.

A maioria dos laptops disponíveis atualmente conta com adaptadores onboard que podem ser atualizados com o auxílio do Windows Update. Se o seu dispositivo não se encaixa nesse caso, vale a pena fazer uma visita pelo site da companhia responsável por produzi-lo para conferir se há alguma atualização disponível.

 

Coloque seu roteador em uma posição central

Para ampliar a área de alcance de seu roteador, é recomendado que ele seja deixado em uma área central de sua casa. Caso o aparelho seja colocado próximo a uma parede externa, isso pode enfraquecer a recepção obtida no canto oposto de sua residência — pense no seu dispositivo como centro de uma “bolha” que determina a área de recepção dos sinais enviados por ele.

Como ampliar o sinal WiFi para outros cômodos de sua casa? [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Além disso, em casas com dois ou mais andares é recomendado deixar o aparelho na maior altura possível, já que as ondas WiFi viajam melhor para os lados e para baixo. Vale notar que a qualidade do dispositivo utilizado também tem grande influência sobre a área de recepção que você poderá obter.

 

Tire obstáculos do caminho

Outra forma de melhorar a recepção de sinais é deixar seu aparelho afastado de paredes, pisos e objetos metálicos. Além disso, evite deixar roteadores de próximos a telefones sem fio que operam em frequências semelhantes para evitar interferências.

Como ampliar o sinal WiFi para outros cômodos de sua casa? [vídeo] (Fonte da imagem: Reprodução/wikiHow)

Móveis pesados como armários e estantes também devem ser deixados longe do caminho, já que eles podem bloquear a propagação de sinais. Quanto menos objetos estiverem no caminho entre o roteador e seu computador, maior a probabilidade de que você possa acessar a internet sem problemas.

Para completar, também é preciso tomar cuidado com cabos de energia, fornos de micro-ondas, monitores de bebês e lâmpadas de halogênio, já que todos esses elementos podem influenciar na recepção de ondas de rádio. Até mesmo espelhos devem ser mantidos afastados, já que a moldura metálica desses objetos pode ter influência negativa sobre a qualidade do sinal.

 

Adquira um amplificador de sinal bidirecional

Uma maneira de solucionar problemas de acesso é apelar para a compra de um amplificador de sinal bidirecional. Esse acessório, que é colocado no mesmo local das antenas do roteador utilizado, tem o objetivo de ampliar sinais wireless tanto na hora de enviar informações quanto no momento em que é necessário recebê-las.

 

Adicione um novo ponto de acesso

Caso você more em uma residência grande, é provável que somente um roteador não dê conta de abranger toda a área disponível no local. Nesse caso, pode ser uma boa ideia investir na compra de outro ponto de acesso, constituído basicamente de um roteador auxiliar conectado àquele que você já possui através de um cabo ethernet.

Como ampliar o sinal WiFi para outros cômodos de sua casa? [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

O lado negativo dessa solução é o fato de ele gerar a necessidade de passar cabos entre diferentes cômodos de uma casa para que ela funcione. Assim, muitas vezes se mostra uma ideia melhor adquirir um repetidor de sinal, solução que permite compartilhar uma conexão entre diferentes pontos de acesso sem que seja preciso recorrer a fios — nesse caso, o problema fica por conta do preço desses equipamentos, que podem chegar a custar mais de R$ 200.

Embora atualmente a maioria dos dispositivos disponíveis no mercado funcione bem entre si, ainda é recomendado dar preferência aos aparelhos com a mesma marca. Isso acontece porque, apesar de as empresas utilizarem tecnologias genéricas na hora de desenvolver seus produtos, eles sempre são otimizados para funcionar melhor quando combinados a outros dispositivos fabricados pela mesma organização.

 

Mude o canal de acesso

Caso você more em um edifício, não é incomum ter vizinhos que também utilizam redes sem fio para se conectar à internet. Isso pode gerar problemas de interferência, especialmente caso todos estejam usando os mesmos canais (intervalos entre frequências) para acessar a rede.

Como ampliar o sinal WiFi para outros cômodos de sua casa? [vídeo] (Fonte da imagem: Super User)

Usando aplicativos como o inSSIDER, você pode descobrir quais os canais mais utilizados pelas redes disponíveis na vizinhança e, assim, mudar para um que esteja menos congestionado. Vale notar que o mais recomendado para roteadores de 2,4 GHz é usar os canais 1, 6 e 11, já que os demais utilizam frequências que se intercalam com as outras opções disponíveis, o que propicia o surgimento de interferências.

 

Transforme seu adaptador USB em uma antena

Caso você seja adepto das gambiarras caseiras, é possível melhorar a recepção de receptores WiFi USB usando uma lata de batatas. Para isso, tudo o que você precisa é de um abajur velho que não esteja mais sendo usado e algumas ferramentas simples.

Como ampliar o sinal WiFi para outros cômodos de sua casa? [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Embora simples, o processo pode se mostrar demorado para quem não tem muita experiência no assunto. Para evitar problemas, confira o vídeo que o Tecmundo preparou sobre isso como parte de nossa seção Área 42.

 

Faça ajustes no gerenciamento de energia

Normalmente, o adaptador wireless de seu laptop vai seguir o plano de energia estipulado pelo seu dispositivo como forma de economizar energia. Infelizmente, isso pode resultar em uma queda na qualidade de recepção, já que o componente pode começar a atuar de uma forma que está aquém de suas capacidades reais.

Para retornar a situação ao normal, basta entrar no painel de gerenciamento do adaptador clicando em “Painel de Controle” > “Opções de Energia” > “Alterar configurações do plano” > “Alterar configurações de energia avançadas” > “Configurações de adaptadores sem fio”. Em seguida, basta mudar o plano de energia específico do componente para permitir que ele utilize uma quantidade maior de recursos da máquina.

 

Adquira um novo roteador

Caso você ainda utilize um roteador baseado na tecnologia de 2,4 GHz, pode ser uma boa ideia trocá-lo por um que utiliza a frequência de 5 GHz. Apesar de isso implicar certo investimento financeiro, essa mudança significa ter que lidar com menos interferências, o que resulta em uma qualidade maior na hora de acessar a internet.

Como ampliar o sinal WiFi para outros cômodos de sua casa? [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Procure dispositivos do tipo que sejam compatíveis com a especificação 802.11n, que disponibiliza a opção de utilizar canais de 40 MHz, que sofrem pouco com elementos externos. Embora isso também possa ser feito com aparelhos de 2,4 GHz, isso quase sempre acaba gerando problemas no acesso de qualquer rede que esteja próxima à sua residência — algo que pode gerar bastante descontentamento entre seus vizinhos.

 

Para os aventureiros: utilize o software DD-WRT

O DD-WRT é um software opensource que promete transformar roteadores de R$ 120 em dispositivos de R$ 1.200. O aplicativo é conhecido por aumentar substancialmente o desempenho desse tipo de dispositivo, ampliando o número de recursos oferecidos por eles em relação ao que normalmente é disponibilizado pelas fabricantes.

Como ampliar o sinal WiFi para outros cômodos de sua casa? [vídeo]

(Fonte da imagem: Reprodução/PC Mag)

 

Vale notar que nem todos os produtos disponíveis no mercado são compatíveis com o programa, cuja instalação pode invalidar a garantia de seu aparelho. Além disso, nem sempre é garantido que as mudanças feitas pelo aplicativo vão realmente melhorar o desempenho de sua rede.

Apesar dessas restrições, o DD-WRT já se tornou bastante popular devido às suas qualidades que apresenta. Antes de apelar para essa solução, vale a pena conferir a página oficial do projeto para ver se o seu roteador é compatível com o software. Além disso, não se esqueça de fazer uma busca pela internet para tentar prever a possibilidade de a instalação do programa resultar em problemas.

Fonte: wikiHow, TechRadar, PC Mag

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Cogumelo faz biocélula produzir eletricidade continuamente

Redação do Site Inovação Tecnológica - 12/07/2013

Cogumelo faz biocélula produzir eletricidade continuamente

A descoberta mereceu a capa de uma publicação científica voltada para a sustentabilidade na química. [Imagem: Wiley-VCH]

 

Energia verde

Há poucos dias, pesquisadores apresentaram uma bateria feita essencialmente de madeira e sal.

Agora, outra equipe encontrou um auxílio inesperado não nas árvores, mas em cogumelos que crescem em árvores.

E a grande vantagem é que eles não construíram uma bateria, mas uma biocélula.

As biocélulas produzem eletricidade de uma forma que é ambientalmente correta e sustentável, tirando proveito do metabolismo de microrganismos.

Em vez dos catalisadores tradicionais - metais nobres como a platina - as biocélulas usam enzimas para otimizar as reações eletroquímicas que geram eletricidade - e essas enzimas podem ser obtidas de fontes renováveis.

 

Biocatalisador

Sabine Sané e Sven Kerzenmacher, da Universidade de Freiburg, na Alemanha, resolveram enfrentar o grande inconveniente das biocélulas - sua vida útil muito curta.

Para isso, eles desenvolveram uma técnica para reabastecer continuamente a biocélula com seu biocatalisador.

O "frentista" desse reabastecimento é o Trametes versicolor, um cogumelo que cresce em árvores e que libera a enzima laccase.

Permitindo que o cogumelo se desenvolva junto ao catodo - o polo positivo da célula microbiana - o catalisador é liberado continuamente exatamente onde ele é necessário para induzir a conversão eletroquímica do oxigênio.

Os experimentos iniciais mostraram que a técnica permite o funcionamento contínuo da biocélula por até 120 dias. Hoje, as biocélulas operam por, no máximo, 14 dias, antes de terem que receber manutenção e um novo suprimento de catalisador.

Os pesquisadores destacam a drástica redução no custo de operação da biocélula, uma vez que a enzima catalisadora é liberada diretamente na célula a combustível, sem nenhum processo de purificação.

O grupo agora pretende testar a aplicação da biocélula autocatalisadora na geração de eletricidade a partir de águas residuais.

 

Bibliografia:
Overcoming Bottlenecks of Enzymatic Biofuel Cell Cathodes: Crude Fungal Culture Supernatant Can Help to Extend Lifetime and Reduce Cost
Sabine Sané, Claude Jolivalt, Gerhard Mittler, Peter J. Nielsen, Stefanie Rubenwolf, Roland Zengerle, Sven Kerzenmacher
ChemSusChem
Vol.: 6, Issue 7, pages 1209-1215, July 2013
DOI: 10.1002/cssc.201300205

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Lei de Moore: estamos presenciando uma lentidão na evolução das CPUs?

Por Felipe Gugelmin em 8 de Julho de 2013

 

Limitações tecnológicas estão obrigando empresas como AMD e Intel a abandonar o foco em poder bruto para continuar evoluindo seus produtos.

 

Lei de Moore: estamos presenciando uma lentidão na evolução das CPUs? (Fonte da imagem: Reprodução/MemeBurn)

Um dos motivos pelos quais o mercado de computadores se mostra intimidante para muitas pessoas é a rápida evolução pela qual ele passa de tempos em tempos. Não é incomum ouvir quem fale que não vale a pena investir na compra de uma máquina top de linha, já que em questão de um mês vai estar disponível no mercado um produto com o dobro da capacidade e o mesmo preço.

Embora em certo momento essa frase até fizesse sentido, não é possível dizer que ela se aplique ao mercado atual. Apesar de fabricantes continuarem investindo no desenvolvimento de novas tecnologias, o ritmo na evolução de CPUs tem sido de somente 10% ao ano — nada comparado aos ganhos anuais de 60% registrados em certo momento da indústria.

O principal responsável por isso é a estagnação da conhecida “Lei de Moore”, que durante muito tempo ditou os avanços do mundo da tecnologia. Após décadas de validade, essa regra finalmente parece ter chegado a seu limite, o que deve obrigar companhias a investir em novos meios de continuar competitivas e de convencer o consumidor a investir em produtos novos.

 

O que é a Lei de Moore?

Cunhada em 1965 por Gordon Moore, cofundador da Intel, a Lei de Moore dita que o número de transistores em um chip tende a dobrar a cada ano — período que foi corrigido para dois anos em 1975. Porém, a forma mais conhecida dessa regra é responsabilidade de David House, um executivo da empresa que afirmou que o tempo de transição correto é de 18 meses.

Lei de Moore: estamos presenciando uma lentidão na evolução das CPUs? (Fonte da imagem: Reprodução/MemeBurn)

Na prática, o mercado tem mostrado que produtos com o dobro da capacidade de seus antecessores estão disponíveis aos consumidores a cada 20 meses. Apesar de esse ciclo ter se provado verdadeiro durante vários anos, tudo indica que ele está próximo de terminar, já que estamos cada vez mais perto de alcançar o número-limite de elétrons que podem ser colocados em uma área determinada.

 

Uma lei em crise

“Quando começamos, tínhamos cerca de 1 milhão de elétrons por células... Agora temos somente algumas poucas centenas”, afirma Eli Harari, CEO da Sandisk. Ele admite que esse ciclo não pode continuar para sempre e que não deve demorar muito para que ele seja esgotado. “Não podemos ter menos de um (elétron)”.

Bernie Meyerson, da IBM, concorda com essa afirmação e explica de forma sucinta as regras com as quais a indústria tem que lidar: “1) átomos não são escalonáveis; 2) dispositivos de silício entram no campo da ‘mecânica quântica’ em dimensões de cerca de 7 nanômetros e 3) a luz está se mostrando muito lenta, enquanto os sinais elétricos estão ainda mais lentos”.

Lei de Moore: estamos presenciando uma lentidão na evolução das CPUs? (Fonte da imagem: Divulgação/Intel)

O conhecimento de que a Lei de Moore eventualmente será esgotada já faz parte da indústria há mais de uma década. Prova disso é a transição que companhias como a AMD e a Intel fizeram para as arquiteturas baseadas em múltiplos núcleos de processamento a partir do início dos anos 2000, já que investir em CPUs individuais com clocks cada vez maiores estava se mostrando um processo pouco eficiente e bastante propenso ao superaquecimento.

Para tornar mais complicado o trabalho dessas fabricantes, desenvolvedores de software se mostraram capazes de encontrar meios de usar rapidamente toda a potência que era oferecida pelos novos chips. Segundo a Lei de May, a eficiência dos aplicativos diminui pela metade a cada 18 meses — ou seja, toda vez que o poder de processamento era aumentado em 10 vezes, softwares passavam a exigir 10 vezes mais trabalho para funcionar corretamente.

 

Uma questão física

Um dos principais motivos pelos quais a Lei de Moore deve se esgotar em breve está relacionado às propriedades físicas do silício, material utilizado em uma imensa variedade de componentes eletrônicos (daí o termo Vale do Silício). Segundo o físico teórico Michio Kaku, em cerca de 10 anos o poder desse elemento vai ser esgotado completamente.

Segundo Kaku, o problema ocorre em dois campos: calor e vazamento. Ele afirma que, embora atualmente os processadores da Intel possuam uma camada externa de 20 átomos, esse valor não pode ser menor do que 5 átomos, ponto a partir do qual “está tudo terminado”.

 

O físico afirma que, a partir desse estágio, o calor gerado pelo processador será tão intenso que ele vai simplesmente derreter. A outra preocupação do profissional está relacionada ao vazamento de dados, já que, ao lidar com dispositivos com escala tão pequena, seria impossível determinar o posicionamento correto de cada elétron.

Kaku prevê que, embora cientistas provavelmente vão encontrar meios de estender a validade da Lei de Moore, o limite possível já está próximo. Segundo ele, isso vai resultar no investimento em computadores moleculares, que devem ser substituídos no final do século 21 por máquinas quânticas.

 

Broadwell: novo foco para a Intel

A maior prova de que a Lei de Moore não está mais dando os resultados esperados é a própria Intel, empresa cofundada pelo responsável por essa regra. Nos últimos anos, a companhia tem se focado cada vez mais em aprimorar a relação performance por watt de seus produtos, deixando de lado o investimento em poder bruto.

Embora isso possa ser atribuído em partes à ascensão dos mercados de dispositivos portáteis, que exigem pouca quantidade de energia para funcionar, o grande motivador por trás dessa decisão são as limitações físicas que os cientistas da empresa enfrentam.

Lei de Moore: estamos presenciando uma lentidão na evolução das CPUs? (Fonte da imagem: Reprodução/Hot Hardware)

A próxima geração de chips produzidos pela companhia, conhecidos pelo codinome Broadwell, são um belo exemplo disso. Tudo indica que os novos processadores não devem apostar em um novo chipset, reaproveitando aquele que já é utilizado pela família de produtos Haswell.

Na prática, as CPUs pertencentes à nova linha devem empregar uma frequência de operação maior e passar a usar formas de 14 nanômetros em sua fabricação. O principal aumento de desempenho deve ser visto na GPU integrada ao novo chip, que deve ganhar ainda mais importância devido ao foco cada vez maior que a empresa está dando ao mercado de dispositivos móveis.

Documentos indicam que o processamento gráfico dos novos componentes deve ser 40% melhor do que aquele apresentado pela linha Haswell. Infelizmente, não há indícios de que a Intel vá começar a dar prioridade ao desenvolvimento de drivers mais eficientes, área na qual a companhia continua a pecar.

Mudança de rumo

Prova de que a Intel está planejando uma mudança de rumo são os indícios de que os produtos da linha Broadwell não devem acompanhar o soquete característico dos dispositivos fabricados pela empresa. Ao que tudo indica, as novas CPUs devem vir soldadas diretamente a placas-mães, o que acaba de vez com a possibilidade de realizar upgrades desse componente.

Embora a decisão deva assustar adeptos dos desktops tradicionais, ela faz bastante sentido para a companhia do ponto de vista comercial. Atualmente, é difícil convencer a maioria dos usuários de computadores tradicionais a investir em um novo processador usando seu poder de fogo como única justificativa — afinal, esse público não costuma fazer atividades que vão além de navegar na internet, assistir a vídeos em baixa definição e usar editores de texto.

Lei de Moore: estamos presenciando uma lentidão na evolução das CPUs? (Fonte da imagem: Reprodução/PC World)

Assim, trocar a versatilidade das peças tradicionais por uma arquitetura mais fechada que prioriza a eficiência energética faz bastante sentido. Como no mercado de dispositivos portáteis (que ainda está em expansão) não existe a cultura do “upgrade” de componentes individuais, não faz sentido apostar em tecnologias antiquadas que estão se mostrando pouco atrativas do ponto de vista comercial.

Isso não significa que a companhia deve abandonar o mercado de desktops, que, embora estagnado, continua sendo muito importante para ela. Ao que tudo indica, o que devemos ver é uma evolução mais lenta desse segmento, que passaria a testemunhar o lançamento de novos processadores com soquetes tradicionais em um ritmo mais lento do que o atual.

 

Para onde vamos agora?

O fim iminente do funcionamento da Lei de Moore, mais do que provocar a estagnação da indústria, pode significar uma mudança de rumo muito bem-vinda. Quando se leva em consideração que todo o mundo da tecnologia depende do mesmo elemento (o silício) há mais de 50 anos, é surpreendente termos conseguido avançar tanto.

Entre as soluções que estão sendo desenvolvidas para aumentar o poder bruto de processamento a nosso dispor, está a criação das chamadas “CPUs tridimensionais”. Assim como os seres humanos começaram a “empilhar” casas para economizar espaço (resultando na criação de prédios), empresas apostam no agrupamento de diversos chips como forma de encurtar a distância que uma informação precisa navegar para chegar a seu destino.

 

Já o MIT aposta na substituição de fios tradicionais por um sistema de lasers baseados no elemento germânio (Ge), que usam luzes infravermelhas para transmitir informações. “Conforme processadores ganham mais núcleos e componentes, os fios que os interconectam ficam congestionados e viram a parte fraca do sistema. Estamos usando fótons, em vez de elétrons, para fazer isso de uma forma melhor”, explica o pesquisador Jurgen Michel.

Ao substituir as ligações tradicionais por pequenos espelhos e túneis pelos quais a luz pode ser transmitida, a equipe conseguiu reduzir o consumo elétrico dos processadores e a quantidade de calor gerada por eles. Com o tempo, isso pode resultar na construção de CPUs com frequências surpreendentes que não sofrem com os problemas de superaquecimento vistos em componentes tradicionais.

 

Grafeno: substituto para o silício?

Outras opções envolvem o uso da tecnologia ReRam (conhecida popularmente como memresistores) e o desenvolvimento de chips programáveis, capazes de realizar operações de forma mais especializada. Porém, a maioria das apostas para o futuro da tecnologia se concentra em um elemento conhecido como grafeno.

Lei de Moore: estamos presenciando uma lentidão na evolução das CPUs? (Fonte da imagem: Reprodução/SammyHub)

Constituído por átomos de carbono arranjados em padrões hexagonais, o material se mostra um substituto perfeito para o silício. Entre suas vantagens, estão uma condução elétrica mais eficiente, a possibilidade de utilizá-lo em escala ainda menor e o fato de que ele consome uma quantidade ínfima de energia.

Embora seja conhecido desde a década de 70, somente a partir de 2004 é que as pesquisas do elemento realmente começaram a ser feitas de forma intensa. Infelizmente, o estágio atual de desenvolvimento da tecnologia ainda se mostra bastante rudimentar, o que significa que produzir chips com o material ainda se mostra algo muito dispendioso e um pouco difícil de aplicar em escala comercial — situação que lembra bastante o início dos processadores feitos com silício.

 

Evolução que deve continuar

Mesmo que o potencial da Lei de Moore esteja chegando a seu final, isso não significa que o mundo da tecnologia deva parar de evoluir. Tal como nós rimos de nossos pais e avós que ficavam abismados com o poder dos primeiros computadores e dependiam de disquetes para armazenar dados, nossos filhos e netos provavelmente vão achar estranho o fato de nos surpreendermos com smartphones e ainda dependermos tanto de discos rígidos para armazenar dados.

 

Fonte: MemeBurn, PC World, SemiAccurate, Phys.org, CNET, TechSpot

Criado boneco de metal líquido, tipo Exterminador do Futuro

Redação do Site Inovação Tecnológica - 10/07/2013

Exterminador do Futuro? Criado boneco de metal líquidoA tecnologia de metais líquidos deverá ser útil para conectar componentes eletrônicos em chips 3D. [Imagem: Michael Dickey]

 

Ainda não é nenhum Exterminador do Futuro, mas está pronto o primeiro boneco de metal líquido, que fica de pé, sem se "derramar", a temperatura ambiente.

Como é fácil de prever, o boneco foi construído com a ajuda da técnica de impressão 3D.

"É difícil criar estruturas de líquidos, porque os líquidos gostam de formar gotas. Mas descobrimos que uma liga de metal líquido de gálio e índio reage com o oxigênio do ar a temperatura ambiente para formar uma 'pele', que permite que o metal líquido se estruture para manter suas formas," explicou o Dr. Michael Dickey, da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos.

A equipe de Dickey tem uma longa lista de realização no campo dos metais líquidos, incluindo uma memória biomecatrônica, antenas semilíquidas, fios metálicos que se esticam mais que borracha e até um origami que se dobra automaticamente sob ação da luz.

Só que, desta vez, a ideia veio de um estudante de graduação, que procurou a equipe com a ideia.

Segundo o Dr. Dickey, o projeto não teria sido realizado sem a participação de Collin Ladd: "Ele ajudou a desenvolver o conceito e literalmente criou essa tecnologia juntando peças sobressalentes que ele próprio encontrou."

Será que isso quer dizer que um robô tipo Exterminador do Futuro possa sair de alguma oficina de garagem?

Provavelmente não. E, antes de pensar em fazer robôs morfologicamente ativos, os pesquisadores afirmam que a tecnologia de metais líquidos deverá ser útil para conectar componentes eletrônicos em chips 3D.

Enquanto é relativamente fácil moldar conexões metálicas no plano, estruturas de metal líquido que se mantenham em qualquer posição poderão viabilizar a construção de fios que se moldam para alcançar componentes acima e abaixo.

Bibliografia:
3-D Printing of Free Standing Liquid Metal Microstructures
Collin Ladd, Ju-Hee So, John Muth, Michael D. Dickey
Advanced Materials
Vol.: Article first published online
DOI: 10.1002/adma.201301400

terça-feira, 9 de julho de 2013

Célula solar produz dois elétrons para cada fóton

Redação do Site Inovação Tecnológica - 09/07/2013

Célula solar produz dois elétrons para cada fóton

A aparente mágica foi possível graças a um processo quântico chamado fissão de singletos, que emerge em semicondutores orgânicos. [Imagem: Daniel Congreve et al./Science]

 

Em uma célula solar tradicional, formadas pelas chamadas junções semicondutoras, cada fóton que chega produz um elétron, que é capturado na forma de eletricidade.

Fazendo os cálculos, chega-se ao chamado limite de eficiência de Shockley-Queisser, que estabelece que a eficiência na conversão luz-eletricidade desses componentes nunca passará dos 34% - isso no caso de uma otimização ideal.

Mas Daniel Congreve e seus colegas do MIT, nos Estados Unidos, deram um jeito de superar esse limite.

Eles desenvolveram uma célula solar feita com um um material semicondutor orgânico, chamado pentaceno, que gera não um, mas dois elétrons por fóton incidente.

Com isto, eles obtiveram uma eficiência na geração de energia elétrica acima dos 100%.

Fissão de singletos

A aparente mágica foi possível graças a um processo quântico chamado fissão de singletos, que emerge em alguns semicondutores orgânicos.

Já se sabia que o material usado era capaz de produzir dois excitons a partir de um único fóton - um exciton é um par formado por um elétron e seu correlato positivo, a lacuna.

A grande novidade foi incorporar essa geração de excitons dentro de um componente fotovoltaico, o que o tornou capaz de gerar mais de um elétron por fóton.

Na nova célula solar, a fissão de singletos transforma os fótons singletos, ou excitons, em dois estados tripleto, cada um com metade da energia do estado singleto inicial.

Apesar do esquema "dois elétrons para cada fóton", a eficiência global da célula solar experimental ainda é baixa - menos de 2%.

Isto porque o processo aproveita uma faixa de comprimentos de onda muito estreita, perdendo a maior parte da luz.

Contudo, os pesquisadores se mostraram otimistas em que a fissão de singletos possa ser usada para aumentar a eficiências das células solares orgânicas tradicionais, que podem ser muito baratas, flexíveis e transparentes, mas ainda perdem em rendimento para as tradicionais células solares de silício.

 

Bibliografia:
External Quantum Efficiency Above 100% in a Singlet-Exciton-Fission-Based Organic Photovoltaic Cell
Daniel N. Congreve, Jiye Lee, Nicholas J. Thompson, Eric Hontz, Shane R. Yost, Philip D. Reusswig, Matthias E. Bahlke, Sebastian Reineke, Troy Van Voorhis, Marc A. Baldo
Science
Vol.: 340 no. 6130 pp. 334-337
DOI: 10.1126/science.1232994