segunda-feira, 27 de maio de 2013

Poderemos encontrar 10 planetas habitados em uma década?

Com informações da New Scientist - 27/05/2013

Equação de Drake atualizada: 10 planetas habitados nesta década
Planetas habitados: não é mais "se", é "quantos". [Imagem: Sara Seager]
Uma tradicional ferramenta usada na busca de vida extraterrestre acaba de receber uma renovação completa.
Apesar da lamentável perda do telescópio espacial Kepler, a "reinicialização" da ferramenta pode significar que poderemos encontrar sinais de vida em planetas extrassolares dentro de uma década.
E a ferramenta não é nenhum novo telescópio ou ferramenta de observação - é uma equação matemática.
Equação de Drake
Em 1961, o astrônomo Frank Drake criou sua agora famosa equação para calcular o número de civilizações detectáveis na Via Láctea.
A equação de Drake inclui uma série de termos que, na época, pareciam ser impossíveis de se conhecer - como a existência dos planetas fora do nosso sistema solar.
Mas, nas duas últimas décadas, temos visto exoplanetas aparecerem como ervas daninhas, particularmente nos últimos anos, graças, em grande parte, aotelescópio espacial Kepler.
Com esses novos dados em mãos, Sara Seager, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, achou que era hora de dar uma atualizada na equação de Drake.
A nova versão restringe alguns dos termos originais da equação para incluir os dados mais recentes, tornando-a muito mais precisa - na descrição de Seager, se a equação original de Drake era um machado, a nova equação é um bisturi.
A equação original de Drake inclui sete termos que, multiplicados, dão o número de civilizações alienígenas inteligentes que poderíamos esperar detectar na Via Láctea.
Os dados do telescópio Kepler ajudaram a refinar dois termos: a fração de estrelas que têm planetas, e o número desses planetas que seriam habitáveis.
Planetas habitados à vista
Mas o que realmente interessa é o resultado da equação remodelada.
Segundo Seager, pelo menos 10 planetas habitados - não "habitáveis", mas habitados - poderão ser observados já com o telescópio espacial James Webb, que deverá ser lançado em 2017 - o cálculo original de Drake resultava em 2,3.
"Assim como na equação de Drake, alguns dos termos são sempre especulativos," reconhece a pesquisadora.
Equação de Drake atualizada: 10 planetas habitados nesta década
Será possível que poderemos de fato descobrir alienígenas bem próximos de nós? "É claro que eu acho que é possível. Por que outro motivo eu estaria trabalhando tão duro?" [Imagem: Sara Seager]
De qualquer, será possível que poderemos de fato descobrir alienígenas bem próximos de nós? "É claro que eu acho que é possível. Por que outro motivo eu estaria trabalhando tão duro?", disse ela.
E isto não é tudo.
O telescópio Kepler coletou dados durante quatro anos, mas até agora os astrônomos conseguiram analisar apenas os 18 primeiros meses - ou seja, os números poderão ficar ainda mais precisos.
E isto também não é tudo.
Com o aprimoramento das técnicas, e um monte de exoplanetas para testá-las, agora os astrônomos já estão se preparando para medir a atmosfera dos exoplanetas.
A análise dos gases associados com a vida em volta dos exoplanetas dará pistas reveladoras sobre sua composição - e sobre seus habitantes.
Segundo Seager, já nos próximos anos será possível melhorar ainda mais a equação, eliminando cada vez mais incertezas com a inserção de dados cada vez mais precisos, incluindo as "bioassinaturas atmosféricas".

sábado, 25 de maio de 2013

Hardware livre: um supercomputador por $99

Redação do Site Inovação Tecnológica - 23/05/2013

Hardware livre: um supercomputador por $99
Um supercomputador ao alcance de todos.[Imagem: Parallella]
Supercomputador livre
Há mais um participante de peso no mundo do hardware livre, um esforço para compartilhar projetos de equipamentos que qualquer um possa fabricar, usar ou vender.
Sem patentes e sem royalties, os ativistas dessa Era das Máquinas Livres acreditam que será possível contar com equipamentos mais robustos e mais baratos, tornando-os acessíveis a camadas maiores da população e tornando as pessoas independentes de empresas ávidas por lucros trimestrais.
O campo da eletrônica e da informática conhece o sistema de hardware livre há tempos, com o Arduino e o Raspberry Pi sendo os exemplos mais famosos, ocupando espaço equivalente ao que o Linux ocupa no campo do software livre.
O novo membro da turma é o Parallella, um computador completo baseado em uma plataforma projetada para ter múltiplos núcleos e múltiplos processadores.
O grande atrativo da plataforma são processadores maciçamente paralelos, baseados na tecnologia RISC, com 16 ou 64 núcleos, capazes de atingir impressionantes 45 GHz.
Hardware livre: um supercomputador por $99
O grande atrativo da plataforma são os processadores Epiphany, maciçamente paralelos. [Imagem: Parallella]
Mais impressionante ainda é o consumo desse verdadeiro supercomputador do tamanho de um cartão de crédito: ele consome meros 5 Watts de energia.
Tudo livre
O pacote completo é pouco maior do que um cartão de crédito, e já vem com Linux Ubuntu e rodando as linguagens de programação C, C++ e Python.
Com seu alto poder de processamento, o "supercomputador Parallella", como seus criadores o chamam, deverá conquistar áreas como a visão de máquina, controle de robôs, processamento de imagens etc.
Os idealizadores do projeto levantaram recursos por meio do site de doações KickStater - eles pediram US$750 mil e doadores anônimos de todo o mundo contribuíram com quase US$900 mil.
Os primeiros kits do Parallella deverão estar à venda em breve, pelos prometidos US$99,00.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Recarregamento de carro elétrico é feito em duas horas


Redação do Site Inovação Tecnológica - 17/05/2013

Recarregamento de carro elétrico é feito em duas horas
Um novo tipo de motorização para veículos elétricos integra o motor e o carregador de bateria em um bloco único. [Imagem: Saeid Haghbin]
Carro elétrico com carga rápida
Engenheiros suecos desenvolveram um novo tipo de motorização paraveículos elétricos que integra o motor e o carregador de bateria em um bloco único.
Em comparação com os carregadores de bateria dos veículos elétricos atuais, eles conseguiram reduzir o tempo de carregamento de 8 para 2 horas.
E o custo do equipamento completo deverá ficar por volta de US$ 2.000.
A inovação foi desenvolvida por Saeid Haghbin, da Universidade de Tecnologia Chalmers.
Haghbin criou um novo motor de alta potência que integra o sistema de acionamento - o motor propriamente dito - e o carregador de bateria, utilizando um novo método de transferência de potência chamado transformador rotativo.
"O cenário ideal seria ter um carregador potente o suficiente para carregar um carro elétrico em cinco ou dez minutos, mas isso custaria mais de US$ 100.000, mais caro do que o próprio carro," diz Haghbin. "A questão que nos colocamos foi: como podemos reduzir o tamanho, o peso e o preço do carregador?"
Como o motor elétrico e o inversor não são usados durante o carregamento da bateria, os pesquisadores analisaram a possibilidade de usá-los no circuito do carregador, construindo um sistema integrado.
Recarregamento de carro elétrico é feito em duas horas
A bateria é carregada através do transformador e de um motor elétrico de fase dividida. [Imagem: Saeid Haghbin]
Transformador rotativo
Em outras palavras, eles incluíram o motor e o conversor no circuito do carregador de bateria para aumentar seu poder de carregamento a um custo mais baixo.
"Em vez de ter um carregador de bateria separado e isolado, nós introduzimos um novo conceito para a transferência de potência, o transformador rotativo, que foi desenvolvido para transferir energia elétrica ao girar", conta Saeid Haghbin.
"A bateria é carregada através do transformador e de um motor elétrico de fase dividida, que foi especialmente projetado para esta finalidade," explica.
O pesquisador afirma que está tentando encontrar um potencial usuário industrial, mas adianta que a Volvo já demonstrou interesse em financiar os desenvolvimentos que faltam para o uso comercial da tecnologia.

Em teste inédito, computador quântico deixa PC na poeira


Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/05/2013

Computador quântico deixa PC na poeira
Este é o primeiro computador quântico comercial do mundo, que agora foi posto para competir com um PC estado da arte. [Imagem: D-Wave]
Computação quântica adiabática
Pela primeira vez, um computador quântico foi posto para competir com um PC comum - e o computador quântico deixou o computador clássico na poeira.
Sempre que se fala emcomputadores quânticos, os termos mais usados são "no futuro", "quando se tornarem realidade", "se puderem ser construídos" e coisas do tipo.
Mas uma empresa canadense, a D-Wave, apresentou em 2007 um computador que ela afirmava fazer cálculos com base na mecânica quântica.
Foi só em 2011 que a comunidade científica pôde pôr a mão na máquina e finalmente atestar que oprocessador quântico da D-Wave é realmente quântico.
Agora, Catherine McGeoch, da Universidade Amherst, nos Estados Unidos, foi contratada pela D-Wave para fazer um comparativo entre sua "computação quântica adiabática" e um PC comum.
Segundo a pesquisadora, este é o primeiro estudo a fazer uma comparação direta entre as duas plataformas de computação: "Eu não estou dizendo que esta é a última palavra, mas é a primeira palavra, um começo na tentativa de descobrir o que [este processador quântico] pode e não pode fazer."
Matemática pesada
O processador quântico, formado por 439 qubits de bobinas de nióbio, foi 3.600 vezes mais rápido do que o PC comum na execução de cálculos envolvendo um problema de otimização combinatorial - minimizar a solução de uma equação escolhendo os valores de determinadas variáveis.
Esses cálculos são muito usados nos algoritmos dos programas que fazem reconhecimento de imagens, visão de máquina e inteligência artificial.
O D-Wave encontrou a melhor solução em cerca de meio segundo, enquanto o melhor desempenho do computador clássico rodou por meio hora para chegar ao mesmo resultado.
A pesquisadora reconhece que não se tratou de um jogo totalmente limpo, já que os computadores genéricos geralmente não se saem tão bem contra processadores dedicados a resolver um tipo específico de problema.
Por isso, segundo ela, o próximo passo do tira-teima será fazer a disputa entre o processador quântico adiabático e um processador clássico otimizado para esse tipo de cálculo - eventualmente uma GPU usada em placas gráficas.
Computador quântico deixa PC na poeira
O processador quântico contém 439 qubits de bobinas de nióbio - ele funciona a 0,02 Kelvin. [Imagem: D-Wave]
Para que serve um computador quântico
A pesquisadora também destacou o caráter especializado do computador quântico, que é bom para qualquer tipo de cálculo.
"Este tipo de computador não se destina a navegar na internet, mas ele resolve este tipo específico, mas importante, de problema muito, muito rápido,", disse McGeoch.
"Há graus de o que ele pode fazer. Se você quer resolver um problema exato, ele foi construído para isso, na dimensão dos problemas que eu testei ele é milhares de vezes mais rápido do que qualquer coisa que eu conheça.
"Se você quer resolver problemas deste tamanho mais gerais, eu diria que ele compete - ele faz isso tão bem quanto algumas das melhores máquinas que eu já analisei. Neste ponto, ele está apenas acima da média, mas mostra uma trajetória de escalonamento promissora," concluiu a pesquisadora.
Para ver mais detalhes sobre como o computador quântico da D-Wave funciona, veja a reportagem:
Bibliografia:

Experimental Evaluation of an Adiabiatic Quantum System for Combinatorial Optimization
Catherine McGeoch, Cong Wang
Vol.: To be published

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Descobertas estrelas quase invisíveis próximas da Terra


Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/03/2013

Estrelas mais próximas da Terra
Concepção artística do sistema binário de anãs marrons. [Imagem: Janella Williams/PSU]
Nêmesis
São as estrelas mais próximas doSistema Solar descobertas em quase um século.
O par de anãs marrons foi descoberto por Kevin Luhman, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, usando dados dotelescópio espacial WISE.
Ainda não é a tão procurada Estrela X, mas o binário estelar figura agora na lista das estrelas mais próxima de nós, ainda que não as possamos contemplar no céu.
Anãs marrons são estrelas cuja massa não é grande o suficiente para dar a partida no processo de fusão do hidrogênio.
Por isso, elas são relativamente frias e brilham muito fracamente, lembrando mais um planeta gigante como Júpiter do que uma estrela como o Sol.
Os astrônomos sempre especularam sobre a possível existência de um objeto de luz muito fraca orbitando o Sol, normalmente chamado de Nêmesis.
No entanto, Luhman concluiu que "podemos descartar que o novo sistema de anãs-marrons seja tal objeto, pois ele está se movendo muito rápido no céu para estar em órbita em torno do Sol."
Estrelas mais próximas da Terra
Localização dos sistemas estelares mais próximos do Sol - o novo sistema é o terceiro mais perto, tornando-se alvo para a busca de exoplanetas. [Imagem: Janella Williams/PSU]
Estrelas mais próximas da Terra
"A distância até esse par de anãs marrons é de 6,5 anos-luz - tão perto da Terra que nossas transmissões de TV de 2006 já estão chegando lá agora," disse Luhman.
"Será um excelente local para procurar planetas, porque elas estão muito próximas da Terra - isso tornará muito fácil ver qualquer planeta que esteja orbitando qualquer uma das duas," acrescentou Luhman.
A distância de 6,5 anos-luz coloca as estrelas na terceira posição entre as estrelas mais próximas do nosso Sistema Solar.
A estrela de Barnard, que fica a 6 anos-luz, ocupa a segunda posição - o astrônomo Edward Emerson Barnard descobriu sua estrela em 1916.
O sistema estelar mais próximo de nós continua sendo Alpha Centauri (4,4 anos-luz), descoberta em 1839, e Proxima Centauri (4,2 anos-luz), descoberta em 1917.
Quando detectado pelo telescópio WISE, o binário pareceu ser um único corpo celeste. Mas observações seguintes com o telescópio Gemini mostraram tratar-se de um binário.
Por enquanto, o par atende pelo enigmático nome de WISE J104915.57-531906.
Bibliografia:

Discovery of a Binary Brown Dwarf at 2 Parsecs from the Sun
Kevin L. Luhman
Astrophysical Journal Letters
Vol.: In press
http://arxiv.org/abs/1303.2401